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boneca do mal

Momo em vídeos infantis deixa pais em alerta em Maringá e região

Publicado por Nailena Faian, 15:22 - 18 de março de 2019

O aparecimento da boneca Momo em vídeos infantis populares na internet está preocupando pais de todo o país, inclusive de Maringá e região. A personagem aparece no meio de vídeos mostrando maneiras das crianças tirarem a própria vida.


Uma moradora de Paiçandu, que tem uma filha de 4 anos que estuda em Maringá, notou que a filha estava assustada nos últimos dias. Nesse domingo (17), quando ficou sabendo sobre a Momo em um grupo de mães que participa, resolveu mostrar a imagem da boneca para a filha e questionou se ela a conhecia.


“Nossa, ela entrou em pânico, deu um pulo e falou: ‘mãe, a Momo, tira isso, ela é do mal’. Perguntei onde ela tinha visto e disse que quando assistia alguns vídeos no Youtube a boneca aparecia do nada”, contou a mãe, que preferiu não se identificar. Ela disse que a menina está tão assustada que não quer mais assistir vídeos no Youtube e nem dormir sozinha.


Outra mãe, que mora em Maringá e não quis se identificar, também disse estar assustada com a situação. "Tenho um filho de 3 anos. Não é o tempo todo, mas ele assiste vídeos no YouTube. Não param de chegar mensagens nos grupos de Whatsapp e de Facebook sobre o assunto. Já redobrei a atenção. A partir de agora, ele só vai assistir aos vídeos na minha presença ou do pai dele", afirma.


Portais de notícias da região divulgaram que um menino de Goioerê (a 169 quilômetros de Maringá) teria tentado cortar os dois pulsos com uma faca há alguns dias. Segundo relato dos pais, o fato que deixou ferimentos na criança pode ter sido motivado por vídeos assistidos por ela em que a boneca Momo apareceu. 


A reportagem do GMC Online não conseguiu contato com os pais da criança.

Bloco de Imagem

Foto: Reprodução/Facebook

Como garantir a segurança dos filhos na internet


A reportagem do portal GMC Online conversou sobre o assunto com a psicóloga Rhuana de Lima Tardivo. Ela explicou que sempre orienta os pais a saberem se aquela plataforma ou conteúdo são adequados à idade da criança.



“A grande maioria dos órgãos competentes diz que é recomendado que as crianças fiquem longe das telas (celular, computador, iPad) até os dois anos. Depois disso, elas podem, mas de forma controlada e supervisionada. Controlada no sentido de ter um tempo estabelecido e supervisionada no sentido de ter um adulto perto”, orienta.



A psicóloga lembra que para se ter uma conta no Youtube a idade mínima exigida é 13 anos. “Por si só isso já é um indicativo de que crianças abaixo dessa idade não deveriam estar usando sem supervisão”, alerta.


Rhuana lembra que o importante é ficar atendo ao conteúdo que a criança está exposta e também acompanhar de perto o que ela está assistindo.



“Que tipo de conteúdo o filho acessa? O que fala nesse conteúdo? O que ele incentiva? O problema é que, como nesse caso da Momo, tem conteúdo ruim no meio de conteúdo que teoricamente seria saudável. Estão o ideal é que as crianças não tenham acesso aos vídeos sem supervisão. Que as telas não sejam utilizadas em locais que os pais não estejam. Coloque na televisão, onde a família toda pode ver o que está sendo assistido”, recomenda.



A psicóloga também reforça a questão do diálogo entre pais e filhos. “Muitos estão se questionando o porquê as crianças que assistiram a boneca não conversaram com os pais de imediato. Verbalizar existe um grau de elaboração de organização psíquica muito grande para a criança e quem cria essa oportunidade é o adulto. O diálogo é muito importante, é preciso fortalecer esse vínculo entre a família, promover esse espaço", finaliza.

Ministério Público investiga


O Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos (Nucciber), instaurou procedimento para apurar os fatos relacionados a vídeos possivelmente disponibilizados em plataformas de vídeos e compartilhados em redes sociais com conteúdo direcionado a crianças e uso do personagem “Boneca Momo”. Foram enviadas notificações ao Google e ao WhatsApp, por meio das empresas sediadas no Brasil, para remoção do conteúdo.

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