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Empresário apoia proposta do presidente da Câmara Federal

Publicado por Luciana Peña/CBN Maringá, 20:35 - 26 de March de 2020

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O empresário e presidente do Sicoob Sul e da Agência Terra Roxa de Desenvolvimento, Jefferson Nogaroli, analisa as medidas restritivas adotadas em Maringá como necessárias e está otimista que as restrições sejam retiradas em menos de 30 dias porque a curva de infecção do coronavírus está desacelerada em Maringá.


Nogarolli diz que toda a sociedade tem que dar a sua cota de sacrifício neste momento, por isso ele apoia a proposta do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, de corte de 20% nos salários dos servidores públicos que ganham mais. Leia a entrevista que ele concedeu à CBN Maringá nesta quinta-feira, 26. 


Qual a análise que o senhor faz do impacto dessas medidas restritivas na economia local?




O impacto é duríssimo. Na verdade, você fazer um fechamento, uma quarentena praticamente de 80, 90% da economia, é duríssimo. Porém, o prefeito tem os números, as informações, a quantidade de leitos e UTIs que a cidade dispõe e, talvez, imagino que tomou uma medida preventiva que, ao meu ver, pode estar sendo certa. Mas na minha opinião, 30 dias é uma quarentena muito longa, eu acho que a gente já cumpriu metade da quarentena exigida, de 15 dias. Como parece que aqui em Maringá não está sendo a curva mais elevada, e a gente está conseguindo achatar, porque as pessoas circulando menos o vírus não circula, iria podendo restabelecer as atividades gradativamente, e as coisas voltando a normalidade.


Lembrando que nós vamos conviver com esse vírus por muito tempo. Mas temos que evitar que todos se contaminem ao mesmo tempo porque senão as pessoas que têm deficiência baixa, idade alta, vão padecer por falta de respiradores. Na verdade, o que mais está judiando das pessoas é o pânico, quando as pessoas entram em pânico não adianta. Então, nós precisamos fazer esse período de quarentena e o prefeito já analisar que vai abrir nos próximos dias, e voltar à normalidade.


Mas tem que regular o transporte coletivo, organizar turnos diferenciados de trabalho, e não ter aglomeração no horário de pico das pessoas. Eu tenho conversado com as lideranças da ACIM (Associação Comercial e Empresarial de Maringá), nós estamos muito preocupados. No meu caso, eu tenho empresas que são proibidas de fechar, como os supermercados. Nós estamos tomando as medidas, colocamos um acrílico nos caixas para proteger as pessoas, a gente não conseguia máscara e conseguimos. Então tudo o que nós pudermos fazer para proteger os nossos colaboradores, nós vamos fazer. E estamos fazendo o possível para não demitir ninguém.


Tem empresas que são menores e que às vezes não vai ter dinheiro para fazer o pagamento do final do mês, por isso tem que ter linha de crédito, ninguém pode pedir falência de ninguém nos próximos dias. Infelizmente, pandemia sempre teve no mundo e vai continuar tendo. Agora com essa mobilidade global que nós temos ela se espalha em semanas, que foi o que nós vimos. Mas se tivermos bom senso, equilíbrio e as lideranças políticas tomarem as medidas certas, vai dar certo. Se a curva for achatada é importante que o prefeito passe essa mensagem de otimismo para as pessoas e diga que não serão 30 dias, que serão menos, e isso trazer esperança para as pessoas.



O que o poder público poderia fazer, na opinião do senhor?



Falando na esfera nacional, o poder público tem que organizar. Na China eles conseguiram reduzir drasticamente isolando uma cidade de 11 milhões de pessoas, de uma província de 60 milhões de pessoas. Foi drástico, foi terrível, deve ter tido um custo social muito alto, mas imagine você a China com 1,3 bilhão de pessoas, o que teria acontecido, num clima frio, onde o vírus se propaga com muito mais eficiência, seria o caos.


A Itália, como no começo o governo evitou tomar as medidas restritivas, até onde eu sei, e também o vírus circulou muito antes do que eles imaginavam, e sem ter as manifestações típicas, houve uma infestação. E isso é o caos porque quando as pessoas morrem vem a comoção. Aí dizem “ah, mas ele é velho, é doente”, mas ele é meu pai, é meu tio, é meu avô. Então o que nós temos que fazer nesse momento aqui no Brasil, que temos um clima favorável e uma população jovem é parar de circular o vírus, o que foi feito pelo prefeito nesses oito dias.


Se a curva continuar sendo achatada e a tendência for essa, ele pode ir gradativamente liberando as atividades para que as pessoas voltei a conviver normalmente, voltem a trabalhar em turnos menores, e que o pânico saia da cabeça das pessoas, porque senão elas não vão consumir. Agora, esse é um vírus que só vai resolver quando vier uma vacina ou quando o país inteiro conseguir controlar a circulação do vírus. Porque não adianta Maringá ontrolar e outras regiões e cidades não controlarem.



O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, defende um corte de até 20% no salário de servidores durante essa crise do coronavírus. O senhor acha que é uma medida importante, ideal?



No momento de crise, nós estamos todos no mesmo barco. Se o barco estiver furado, vai entrar água e todo mundo morre afogado. Eu acho que ele está correto, principalmente do ponto de vista de exemplo. A liderança não se dá pelo que a gente fala, se dá pelo que a gente faz. Então acho que se eles derem esse exemplo é muito bom. É lógico que tem servidores públicos que ganham pouco, cada caso é um caso.


Mas notadamente, aquelas pessoas que têm uma renda maior, os próprios deputados, podem contribuir. Assim como todos nós, empresários, temos que contribuir. Tivemos poucos casos de fornecedores que tentaram subir preço, então todos tem que fazer sua parte para que a gente possa passar, porque o mundo não vai acabar. A gente sabe que essa doença é grave, mas ela é grave porque todos vão se infectar de uma vez só. O que nós temos que fazer é achatar essa curva de infecção, para que aquelas pessoas que precisarem do respirador, tenham respirador.



O senhor tem acompanhado as medidas econômicas anunciadas pelo prefeito, o senhor acha que elas deveriam ser maior, mais amplas?



Do prefeito especificamente não tenho acompanhado. Eu vejo as que estão sendo tomadas a nível global, como nos Estados Unidos, e aqui no Brasil, com uma grande injeção de capital, baixando as taxas de juros. É preciso fazer uma espécie de Plano Marshall, que foi como os Estados Unidos ajudou a recuperar a Europa no pós-guerra e deu certo. Toda vez que a gente se junta e trabalha em prol da humanidade dá certo. Agora parece que foi anunciado R$ 5 trilhões para combater o coronavírus no mundo inteiro, porque se não ajudar os países africanos, os países mais pobres, o vírus vai continuar circulando, e aí não vai resolver. E, se Deus quiser, vamos ter uma vacina de seis meses há um ano, e isso vai ajudar muito, mas até lá muita gente já vai ter pego a Covid-19 e já vai estar autoimune.


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