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Cristina Herreira

Desvende mitos e verdades sobre os cuidados com bebês e crianças

Publicado por Letícia Tristão, com informações de Gilson Aguiar, 17:50 - 03 de Setembro de 2018

Como tirar a chupeta? Quando parar de amamentar? Filhos muito cedo na escola: isso é bom ou ruim? Esses foram alguns temas tratados pela pediatra Cristina Herreira, em entrevista à rádio CBN Maringá, no programa CBN Saúde. Ela tira dúvidas para mães de primeira viagem e destaca alguns pontos importantes na educação dos filhos.


Confira:


Cuidar da criança começa antes de ela nascer?


Com certeza. Uma boa alimentação durante a gestação, consultas de pré-natal de forma regular... É onde a gente vai saber se o bebê está nascendo no tempo certo, no peso certo, com desenvolvimento certo.


Quais são as principais dúvidas das mães de primeira viagem?


Esses mitos que vem de geração em geração são as principais. Por exemplo, “posso por uma moeda no umbigo para não ficar estufado?”. Mais ou menos nessa linha. Aí é uma consulta muito leve e que é importante ter a presença das avós, até mesmo para entenderem melhor o conteúdo e nos apoiar com as novidades da ciência.


Até onde as dicas das avós são verdade?


Antes de tudo, preciso parabenizar esses avós que viveram uma geração sem acesso ao pediatra. Mas hoje a gente vive outra fase. Chegar ao pediatra não é algo difícil e alguns mitos precisam ser quebrados, até para termos mais saúde. Há 40 anos, a mortalidade infantil era três vezes maior. Por que será? Com certeza é porque conseguimos ter alguns avanços, como não usar a moeda no umbigo.


O pai tem procurado mais os pediatras?


Muito mais. Hoje o pai é quem leva o filho em 20% das minhas consultas. E agora é lei, o pai deve estar na sala de parto. Acredito ser uma grande conquista. Às vezes ao longo da gestação o pai tenta construir essa paternidade, mas ele não entende o que está acontecendo. Na sala de parto, ele é o primeiro a pegar a criança no colo, a paternidade se constrói com muito mais rapidez.


Até quando amamentar?


Os primeiros seis meses devem ser de aleitamento materno exclusivo. Depois disso, até por volta de 2 anos, respeitando cada família e suas concepções. Estudos comprovam que crianças que mamam no peito desenvolvem mais QI, inteligência e mais autoestima.


Filhos muito cedo na creche: isso é bom ou ruim?


A parte boa é você deixar a criança em um lugar seguro. Onde ela será alimentada, higienizada, cuidada e com segurança. E sem custo, muitas vezes.


A parte ruim é que essas crianças vão para a creche sem a imunidade formada. A imunidade se forma por completo por volta do quinto ano de vida. A gente deveria colocar os filhos na creche aos 5 anos. Mas sabemos que essa não é mais nossa realidade. E com essa mudança, colocamos nossas crianças muito expostas e elas começam a adoecer com frequência.


Uso de antibiótico em crianças é ruim?


O antibiótico não mata só as bactérias ruins, mata as boas também. E nós temos muitas bactérias boas no organismo que nos ajudam na defesa. Mas, até por estar relacionado a pergunta anterior, as crianças estão adoecendo mais, e o pediatra acaba receitando antibióticos. Mas de 70% a 80% das doenças nos primeiros dois anos de vida são causadas por vírus. Então não precisa de antibiótico.


Quando tirar a chupeta? Como tirar a fralda? Como educar o sono da criança?


São processos comportamentais. Essas partes funcionam com crianças a partir de estabelecimentos de rotinas. Hora para acordar, para comer, tomar banho, brincar. Essa criança é calma porque ela sabe o que vai acontecer em meia hora, porque ela tem rotina. E ela responde bem à voz de comando dos pais. Então o desfralde que deve acontecer por volta dos 2 anos, acontece com mais facilidade para a criança com rotina, pois a mãe pode levar a criança ao banheiro a cada uma hora, que ela vai entender o recado. Rotina de sono: ela vai entender porque todos os dias, às 21h, a mãe alimenta, põe o pijama e deita ela na cama. Pelo comportamento de rotina, a criança entende e as coisas ficam mais fáceis.


Babá eletrônica funciona?


Super funciona. Na verdade, a mãe precisa ter segurança longe da criança. Se a babá eletrônica vai ajudar a mãe a ter mais segurança, use a babá eletrônica.


Nas redes sociais há muitos grupos de dicas para mães. O pediatra entra nesses grupos?


A gente tem as redes sociais como uma forma de prestar serviço à sociedade. Eu gosto muito dos grupos de mães porque acho que elas se sentem acolhidas. Só acho que a gente precisa ter cuidado com a parte medicamentosa.

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