COLUNISTAS

Ser feliz

Publicado por Passeio / Elton Tada, 11:15 - 17 de Abril de 2019

Tenho certeza que o que vou dizer não se aplica a você, pois seique você é uma pessoa especial, mas conheço um monte de gente que vive a vida toda preocupada com a vida após a morte, mesmo não tendo certeza que exista qualquer vida após a morte e mesmo sabendo que se essa vida existe nós não somos merecedores dela. E eu me pergunto se eu sou muito estúpido por questionar tudo isso ou se somos todos muito estúpidos por precisarmos acreditar que existe algo além do simples morrer. Será que a existência é toda maravilhosa e uma vida se transforma em outra ou será que nossa covardia nos impede de ver o mais simples, o mais real?


Curiosamente, a única certeza que podemos ter é que sempre estaremos em dúvida. Quando não temos dúvida estamos em uma das duas situações: ou estamos cegamente errados ou estamos loucos. A certeza, meu amigo, não é uma verdade lógica, é uma droga inebriante, que só nos faz mais bobos do que já somos.


Mas, fique bem tranquilo. Não estou dizendo isso para que perca sua fé. A fé é uma realidade ambígua que faz e não faz sentido ao mesmo tempo. E é pra ser assim mesmo. Vívida na dinâmica da vida. A fé, independente de seu objeto, é um dos fortes traços do viver. Estou falando sobre coragem de viver, coragem de ser exatamente aquilo que se é. Um exemplo bem simples que sempre dou é o do fervoroso torcedor de futebol. Esse cara se alegra e se entristece por seu time: chora, grita e canta, e sente os sucessos de seu time como se fossem seus próprios sucessos. E ele experimenta tanta graça nesse viver-torcendo que se esquece que ele não é nada para seu time, que seu time não depende dele em nem um segundo. Essa forma de participar da vida é a coragem de ser como parte de algo maior. Mas será que esse algo maior participa da vida do indivíduo?


Eu entendo que é bem sem graça pensar na vida sem anjos e demônios, sem dragões e apocalípses e armagedons, sem Liv Taylors sendo salvas com trilha sonora do Aerosmith. Mas, sei também que há muita graça onde não parece existir nada. A lua é testemunha do poder de Deus. E mesmo que Deus nunca tenha existido, há um poder que se exibe dioturnamente nos limites do firmamento.


Agora eu deveria escrever um parágrafo falando sobre amor, mas vou me fazer de rogado e silenciar. Afinal de contas, no mundo que eu vivo falar de amor é cada vez mais subversivo, e eu não quero arrumar confusão com as potestades, os principados e com os demônios que se assentam nos tronos do poder.


O que importa é viver, trocar de carro de vez em quando, ir para a praia nas férias. Comer a suculenta carne morta de um animal no domingo. O que importa, me parece, é esquecer da vida e ser feliz.

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Foto: Ilustrativa/Pixabay

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