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COLUNISTAS

Raiva não é motivo

Publicado por Michele Thomaz - Trainer em PNL/Manual da Mente, 10:19 - 23 de Julho de 2019

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Raiva é sintoma e não o problema

Você já teve raiva? Quem nunca sentiu uma vontade imensa de reagir a uma agressão? Todos já passamos por isso. O mais enigmático dos monges, o mais centrado dos seres espirituosos já teve que conviver com a cólera. Administrar este sentimento não é fácil, porém é fundamental. Mas como? O que ele significa?


Podemos refletir sobre a intensidade da raiva, são muitas. Há aquelas cotidianas, as que nos pegam em meio ao caminho para um outro interesse. No trabalho, no trânsito, na vida doméstica ela pode aparecer. Dirigindo seu veículo e, de repente, você se vê fechado por um outro motorista, alguém freia bruscamente a sua frente, ela vem, a raiva. Ainda mais quando acompanhado de uma ofensa em meio ao ambiente caótico das vias urbanas.


Existem aquelas raivas constantes, alimentadas por hábitos e práticas que se repetem pela convivência com alguém ou por uma determinada situação. Trabalhar no que não te realiza, se relacionar com quem não gosta ou com alguém que não gosta de você. Fico pensando o quanto é doloroso, por exemplo, a violência que algumas mulheres não passam diariamente, seja ela moral ou física, de parceiros, quase sempre seus principais agressores.


Mas como agir? O que fazer quando a raiva chega. Temos que saber “medi-la”. Não se pode comparar a raiva do acaso com a cotidiana. Não se pode generalizar o sentimento passageiro, um dessabor no trânsito ou uma discussão com seu parceiro ou parceira, com aquela raiva que é resultado de uma agressão constante. Por isso, ela deve ser analisada na dimensão que merece. Este é o primeiro passo, saber admitir que o sentimento existe e entender que raiva é sintoma e não causa.


Independente da proporção que a raiva tenha e seus motivadores, nunca se deve reagir sustentando sua ação na intensidade do sentimento de vingança. Isto é um ato impensado. Agir para machucar o agressor é gastar uma energia que pode ser canalizada para uma superação definitiva, romper com o que promove a dor.


É necessário saber conciliar duas grandes virtudes para se medir e agir com a raiva, a inteligência e a coragem. Enfrentar a dor implica em não buscar refúgio, “fuga” imediata. Mesmo sabendo que temos a tendência de escolher o caminho mais fácil. Ele quase sempre tem consequências mais difíceis. Por isso, o corajoso não revida alimentado pelo ódio, pelo desejo de vingança, você pode agredir quem não merece e acabar por ter que pagar caro por uma “ação impensada”. Aqui entra a inteligência emocional.


A raiva é sentimento passageiro e, mesmo, quando se mantém constante, temos que entender os fatos e fatores que a geram. Não podemos esquecer nossa cumplicidade em sua ocorrência. Sim, somos sócios dos nossos problemas muitas vezes. Temos que ter consciência disso, este é um passo fundamental para medir a raiva, ter consciência dos fatores que a provocam. Nós somos um deles, se não o principal.


A superação de um desconforto, da dor que provoca a raiva, deve ser uma ação com consciência de suas consequências. Temos que nos preparar para assumir a responsabilidade dos nossos atos. Se queremos superar um problema, temos que buscar uma resposta que nos dê uma solução lógica de longo prazo, com consequências assumidas e que podem ser arcadas por nós. Não podemos agir arrumando a desculpa da inocência, isto é “má fé”. Coragem e inteligência emocional é saber que a raiva não justifica uma ação, é apenas reação, e não há nada de sábio e heroico neste ato.

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