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COLUNISTAS

Gilson Aguiar: 'o problema não é raça e sim ignorância'

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Publicado por Gilson Aguiar, 08:31 - 14 de Agosto de 2018

O Brasil e suas origens. O que somos e não o que gostaríamos de ser. Em nosso dia a dia expressamos nossos ódios. Destilamos no lado mais imediato de nosso desprezo a ignorância. Cada um raciocina com a pobreza de informação que carrega. Lamentável. Na discussão do que somos, de onde viemos e para onde vamos, a falta de conhecimento aflora.


Um dos temas que sofre com a limitação da informação e com a falta de um raciocina mais profundo é a questão do preconceito. Este fato foi expresso na semana passada com uma mulher, que ao discutir por uma questão de vaga de garagem, chama um jovem de preto, macaco, faz apologia à violência, lamenta a sobrevivência dos negros. Possivelmente, caso sua lógica rasa fosse executada, ela deveria ser exterminada também.


Mas o caso não é isolado, é diário. Todos os dias há ações de preconceito. A culpa da mistura racial já dominou a retórica de muitos pensadores brasileiros. No processo de abolição e nas décadas que sucederam a libertação dos escravos, a discussão ganhou força. O lamento de termos em nossa origem a escravidão. Para a mediocridade humana, os problemas do país repousam na origem racial.


Lamento informar, somos afros. A escravidão foi a condição da miscigenação que nos deu vida. Parte considerável da população brasileira tem, o que chamamos, “um pé na senzala”.Os que não têm no sangue têm nos hábitos. Isso não é um mal. O empobrecimento, a miséria do país, não é resultado da miscigenação, mas do poder estabelecido ao longo da história. Do mando agrário que nasceu dos engenhos de açúcar, percorreu as terras dos coronéis, também do café, é um mal. Na república autoritária varguista e na falta de democracia que ronda nossa história, o comando sempre foi dos senhores que se orgulham de serem brancos.


Se o poder é branco, se o governo sempre esteve nas mãos da elite que desejava branquear a população, seria a incompetência do estado uma questão de cor? Poderíamos fazer uma campanha de associação da corrupção, da violência praticada pelo estado, das desigualdades, com uma questão da raça que domina o país? Poderíamos chamar então que a pátria corrompida e de falta de caráter é fruto da lógica do mal da cor? Acredito que não. Então, não se deve usar a raça para encobrir a ignorância.


 

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