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COLUNISTAS

Entre a fé e a razão

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Publicado por Gilson Aguiar, 08:38 - 17 de Junho de 2019

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Pintura de Fiéis

O Brasil é um país com uma forte religiosidade. Crer para os brasileiros faz parte da tradição que formou a sociedade. A presença do cristianismo está ligada a própria formação da colônia portuguesa e do Estado brasileiro. A educação religiosa iniciou a orientação do povo, seja nas escolas formas dos membros do clero, com destaque aos inacianos, ou pela conversão dos nativos.


Uma pesquisa da ProSer (Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade) da USP (Universidade de São Paulo), aponta que 92% dos brasileiros acreditam em uma força divina. Os cristãos são a maioria, mais de 86,8%. O que não significa que não cultuem outras crenças. 44% se consideram seguidores de mais de uma religião. 49% mudaram de religião ao longo da vida. Entre os cristãos, 32% leem a Bíblia diariamente.


A fé também é um bom negócio. O número de igrejas se multiplica e arrebanha fiel para propagar templos e gerar um empreendimento. O desejo de que a interferência divina seja sentida de forma imediata é registrada no número de novas instituições espirituais, entre 2010 e 2017 foram registradas 67.951 novas igrejas no país. Praticamente uma nova entidade por hora. Lembrando que a burocracia para abertura é menor do que outro empreendimento qualquer.


As igrejas são atuantes na vida dos brasileiros em diversos aspectos. Na produção de campanhas sociais em benefício da população carente, por exemplo. Também são as instituições religiosas que colaboram, para o bem ou mal, na discussão de temas sociais relevantes. Saúde, alimentação, segurança, educação, sexualidade, economia, enfim, os mais variados temas estão na pauta das instituições religiosas.


Até onde podemos ir com a fé? Esta é uma pergunta polêmica em um país como o Brasil. Muitos dos temas fundamentais da sociedade acabam sendo discutidos pela ótica divina e abandonam-se as pesquisas que podem dar uma visão mais racional sobre o tema. A crise econômica e qualquer outra que o seja não são analisadas com ponderação, não se busca uma solução pelo ato, se desacredita da possibilidade humana e se espera um milagre. Isto não é bom.


A fé ajuda, e muito, mas não podemos esperar que uma interferência sobrenatural resolvesse os nossos problemas. Temos que construir soluções lógicas dentro da vida humana. O mal que fazemos é nosso e tem que ter uma resposta nas nossas ações. Deturpamos a realidade quando nos apegamos às forças místicas.
Fico pensando, nos diferenciamos dos animais pela consciência e razão e se elas são uma obra divina, Deus espera que resolvemos os nossos problemas pelo nosso próprio esforço e não esperemos dele uma solução. E, infelizmente, como crianças, agimos contraditoriamente. Somos como crianças que fazem “arte”, criam problemas, e esperam que o adulto venha limpar a sujeira.

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